Luis Afonso (17/4)

(see english below)

Hoje passamos o dia todo sobre águas amazônicas. Às 7h da manhã saímos de Novo Airão de barco rumo a Manaus, onde apenas trocamos de embarcação e seguimos descendo o rio rumo a Santarém.

No começo da tarde vimos o famoso encontro das águas dos rios Negro e Solimões, um fenômeno muito bonito, em que as águas, de tonalidades e propriedades físicas diferentes, simplesmente não se misturam, formando enormes manchas de água preta e marrom na superfície do rio.

O barco Luiz Afonso que nos leva tem 3 andares e capacidade para cerca de 300 pessoas acomodadas em redes e algumas cabines. Há espaço para comer (muitos trazem suas marmitas); um bar que serve bebidas, petiscos e refeições com hora marcada; e banheiros com ducha.

Viajar de barco usando redes e com condições satisfatórias de conforto parece uma ideia interessante e bem adaptada à realidade local. Vale lembrar que elas devem fazer parte do grupo dos objetos “brasileiros” mais antigos de que ainda fazemos uso cotidianamente, e aqui no Norte elas são ainda mais presentes.

Neste barco, as redes parecem formar um grande e criativo caleidoscópio. São vários modelos, cores, padrões de textura, altura em que estão penduradas. Como cada passageiro traz a sua, o ambiente ganha um aspecto único e divertido a cada viagem, e não padronizado como um ônibus, por exemplo. Muitas vezes as redes mostram as preferências de seus donos, seja pela cor ou por mostrar seu time de futebol, e há também as customizadas, com o nome do dono gravado.

Esse uso mais “aberto” do espaço acaba gerando um tipo de interação diferente numa viagem, muito mais intensa. Querendo ou não, é difícil ficar indiferente ao que acontece ao redor, e os mais animados aproveitam para fazer amizades.

 

Today we spent the whole day on board. At 7 o’clock we left Novo Airão in a boat heading to Manaus, where we just switched to another bigger boat to Santarém.

In the beginning of the afternoon, we saw the famous confluence of the rivers Negro and Solimões, a phenomenon in which the waters with different colors and physical properties simply don’t mix, forming big spots of black and brown water in the surface of the river.

Luiz Afonso boat has 3 levels and is able to carry around 300 people in hammocks and some few cabins. There’s space to eat (most of the people bring their own food); a bar to serve drinks, snacks and meals; and toilets with a douche.

A trip by boat using hammocks and with appropriate comfort standards seems to be a nice and well adapted idea to the local context. It’s also good to remember that the hammocks are one of the oldest Brazilian objects still in use, and here in the North of the country it is even more present.

Inside this boat, the hammocks seem to form a creative kaleidoscope. There are many models, colors, textures, patterns and  heights where they hang. As each passenger bring his own hammock, the place has an unique and funny aspect which is different in each trip, and it’s never “standardized” as in a bus, for example. Many times the hammocks show the preferences of its owner, by the color or by showing a football team. Some are even customized, with the owner’s name embroidered in it.

This more “open” use of the space ends up generating a different, much more intense kind of interaction in a trip. Whether one wants it or not, its hard to be indifferent to what happens around, and the most entousiasthic are always making friends.

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