Rio Infinito (18/4)

(see english below)

O trajeto Manaus-Santarém mostra uma paisagem linda, única no Brasil e talvez no mundo. Com a cheia, áreas alagadas de alguns quilômetros avançam desde as margens para dentro da mata. Veem-se apenas barcos, criação de animais, algumas casas e igrejas isoladas, muitas delas semi-alagadas.

As casas de madeira construídas sobre palafitas parecem flutuar e mostram como aqui o produto humano tem que se adaptar à natureza e não o contrário. A sazonalidade das estações e a força da natureza determinam muitas coisas neste contexto.Além de fonte de alimentos e meio de transporte, outras atividades apóiam-se no rio, como por exemplo o turismo e o comércio. Ao parar em cidades menores, vimos uma população de ambulantes se aproximar do barco, vendendo principalmente comida aos viajantes.

Numa dessas paradas foi interessante notar um objeto criado pelos vendedores: um cabo de vassoura com meia garrafa pet na ponta. Como não podem entrar no barco, eles anunciam seus produtos de longe, gritando. Quando alguém compra, eles colocam seu produto (geralmente uma marmita) dentro de uma sacola, e prendem no cabo de vassoura. Aí estendem a mercadoria até o comprador, que geralmente está no alto do barco. O cliente pega sua compra e paga colocando o dinheiro dentro da pet.

Durante a viagem, conversamos com a atendente do bar, que trabalha no barco há 8 anos e inclusive mora no trabalho. Ela é índia, nasceu numa aldeia na divisa do Mato Grosso com o Pará e foi raptada aos 7 anos de idade, para só voltar a ver a família aos 23 anos. Por essa e outras histórias pudemos perceber, através de relatos dos próprios protagonistas, como é a realidade e as dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas e seus descendentes. Parece que a ideia de “terra sem lei” vale como regra geral fora das grandes capitais por aqui.

 

The route Manaus-Santarém has a beautiful and unique landscape in Brazil and possibly in the whole world. With the river full of water, many kilometers of flooded areas pass the “margins” and invade the forest. All you can see are boats, cattle raising, some isolated houses and churches, many of them half-flooded.

The wooden houses built on sticks seems to float and show that the human-made things here have to adapt to nature, and not the opposite as we are used to. The seasons and the strenght of the nature dictate many things in this context.

Besides being the source of food and serve as transportation, many other activities are based on the river, for example tourism and commerce. When we stopped in smaller cities, we saw many street sellers getting close to the boat, trying to sell food to the travellers.

In one of these stops we noticed an interesting object created by the sellers: the stick of a broom with half plastic bottle in one of its edges. As these vendedors cannot enter the boat to sell, they announce their products screaming from the port. When someone inside decides to buy, they put their product in a bag and hang it from the edge of the broom stick, lifting it till the buyer, who is normally at a higher level in the boat. The client takes the product and pays it by putting the money inside the half plastic bottle.

During the trip, we had a chat with the bar attendant, who works in the boat for 8 years and also lives inside the boat. She is an indian who was born in an indian “aldeia” at the border between the districts of Mato Grosso and Pará. She was kidnapped when she was 7 years old and she only saw her family later on, when she was already 23. Because of this and other stories told by its own protagonists we could notice how is the reality and the difficulties that the indians and their descendants face in here. It seems that the idea of a “land with no law” rules the places out of the main cities of the North.

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