Em trânsito (23/4)

(see english below)

O dia hoje foi de deslocamentos. De Alter do Chão a Santarém e de Santarém a Belém. No primeiro trecho conhecemos o Pedro, dono da pousada em que ficamos hospedadas em Alter. Como filho da terra que é, Pedro está por dentro das coisas e nos apresentou um pouco da dinâmica sócio-ambiental local. Ele nos contou que há uma aldeia indígena dentro da cidade de Alter do Chão, organizada como uma tribo e vivendo integrada à dinâmica urbana. Nos falou da falta de planejamento estratégico por parte do poder público no sentido de alavancar a economia local através do turismo, uma das principais atividades econômicas. Nas principais universidades não há cursos de administração hoteleira, por exemplo, mas há inúmeras faculdades de direito, o que não parece fazer muito sentido. O artesanato, como uma atividade dependente da atividade do turismo, acaba sofrendo as consequências dessas dificuldades administrativas. Na conversa ainda concluímos que é possível dizer que iniciativas de entidades da sociedade civil acabam fazendo mais pelos povos da Amazônia do que o poder público.

No segundo trecho de deslocamento, a grandiosidade da vista aérea do rio Amazonas e suas ramificações. A chegada em Belém é realmente linda, ainda mais num final de tarde com céu aberto. Mais uma vez a natureza da Amazônia mostra sua força. No trajeto de Santarém a Belém veem-se muitos povoados e pequenos grupos de casas completamente afastados, provavelmente acessados apenas por transporte fluvial. Esse isolamento, as grandes distâncias, a presença intensa da natureza na vida humana fazem com que a região Norte seja tão peculiar e interessante e, ao mesmo tempo, são a origem de dificuldades muito sérias. Uma região cheia de paradoxos instigantes.

 

Today was a day of displacement. From Alter do Chão to Santarém and then from Santarém to Belém. In the first part of our trip, we met Pedro, the owner of the hotel where we were staying in. As he was born in Santarem, Pedro knows in deep the local reality and explained us a little about the socio-environmental dynamics. He told us that there is an indian village inside the city of Alter do Chão, organized as a tribe and integrated in the urban living. He spoke about the lack of strategic planning by the government in order to boost the local economy through tourism, one of the main economic activities. In major universities there is no hotel management courses, for example, but there are many law schools, which does not seem to make much sense. The craft, as an activity dependent on tourism, suffers the consequences of administrative difficulties. In the conversation we could conclude that initiatives of NGO’s end up doing more for the people of the Amazon than the government actually does.

In the second part of our displacement, the imensity of the aerial view of the Amazon River and its branches called our attention. The arrival in Belém is really beautiful, especially in late afternoon with clean sky. Again, the nature of Amazon shows its strength. On the way Santarém-Belém, you can see many villages and small groups of houses completely isolated, probably accessed only through the river. This isolation, large distances, the strong presence of nature in human life make Brazil’s North region so peculiar and interesting, and, at the same time, these are the sources of very serious difficulties. Intriguing paradoxes.

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