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Muitas atividades no dia de hoje, todas cheias de informações novas e instigantes. Primeiro fizemos um longo passeio pelo Museu Emílio Goeldi, onde pudemos ver de perto inúmeras espécies da flora e fauna amazônicas, concentradas num grande quarteirão no meio da cidade de Belém. Os animais são impressionantes – onças, anta, guarás, gaviões reais, ariranhas e as simpáticas cotias, que vivem soltas e a toda hora atravessavam nosso caminho apressadas. Um elemento que se destaca é o encantador lago das vitórias-régias: elas são enormes, mas leves e delicadas ao mesmo tempo. Vimos também a livraria do Museu, onde encontram-se publicações sobre a Amazônia, de botânica a arqueologia.

Depois do Museu, demos uma olhada no mercado de São Brás. Passamos rápido e acabamos nos detendo apenas na parte de movelaria e artigos de umbanda.

Na UEPA (Universidade Estadual do Pará) fomos bem recebidas pela coordenadora do curso de design, a professora Rosângela Gouvêa. Ela nos mostrou a estrutura da escola e nos contou um pouco sobre como funciona o curso e o mercado por aqui. O bacharelado foi criado há 13 anos, tem campus em Belém e na cidade de Paragominas. Há interesse em desenvolver a área na região, mas o design no Pará é bastante dependente de iniciativas governamentais, por meio de projetos de incentivo. Há muita vida no design por aqui, muita vontade fazer e muito talento! Entre os projetos que Rosângela nos apresentou estão a biblioteca de materiais e o Deproma (Desenvolvimento de produtos com materiais amazônicos), de grande valor para os alunos, pesquisadores e profissionais em geral.

Dali seguimos para o Pólo Joalheiro, local criado por um projeto do Governo do Estado. Ele concentra um museu de gemas do Pará, uma capela, espaços de joalherias comerciais e lojas de artesanato, tudo instalado no prédio de um antigo presídio. O espaço é bem organizado e tem boa estrutura para exposição e negócios. Próximo às joalherias, há uma espécie de ateliê-vitrine, onde os ourives podem ser vistos produzindo as peças que são vendidas ao lado.

 

Today we had many activities, all very full of new and intriguing information. Firstly, we went for a long visit to the Emilio Goeldi Museum, where we could see from close many species of the amazonic fauna and flora concentrated in the middle of the city of Belém. The animals are impressive – onças, anta, guarás, gaviões reais, ariranhas and the cotias – the last are walking free and crossed our path all the time. An element that comes out is the enchanting lake of the vitórias-régias: these plants are huge, but also light and delicate at the same time. We finally saw the bookshop of the Museum, where one can find publications about the Amazon, on Botanic and Archaeology.

After the Museum, we passed by the São Brás Market. We saw it quickly, focusing in the sector of furniture and umbanda articles.

At UEPA (University of Pará’s  District) we were received by the coordinator of the Design course, teacher Rosângela Gouvêa. She showed us the school’s structure and told us about how the course and the market work. The bachelors course was created 13 years ago, and has a campus at the cities of Belém and Paragominas. There’s interest in developing this field in the region, however design in Pará is very dependant on government projects and subsidies. There’s a lot of life, talent and drive to make design here. Among the projects that Rosângela showed us are the material library and the Deproma (Development of Projects with Amazonic Materials), with great value for the students, researchers and professionals in general.

From UEPA we went to the Jewelry Pole, a place created by Pará’s government. It houses the Museum of Gems of Pará, a chapel, spaces for commercial jewelry and craft shops, all inside an old prision’s building. The space is very organized and has a nice structure for exhibitions and business. Close to the jewel shops there’s a kind of window-atelier, where we can see the jewel craftsmen working on pieces that will be sold in the shops nearby.

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Em nossas últimas horas em Marajó, resolvemos conhecer a Fazenda São Jerônimo. Além de produzir coco verde, eles realizam passeios com os visitantes. Descobrimos que o jornalista Celso Fioravante, do Mapa das Artes, é amigo dos donos da São Jerônimo há anos e inclusive foi o responsável pela pesquisa e produção do único mapa turístico de Soure.

Em nosso passeio, montamos em búfalos. Eles são animais muito tranquilos de montar e, de perto, pudemos sentir sua força, a estrutura pesada, o couro grosso e os enormes chifres.

Desmontamos dos búfalos e fomos caminhando por uma ponte estreita dentro do mangue mais grandioso que se possa imaginar: ele não só se estende a perder de vista, mas também suas árvores são altíssimas, com raízes gigantes e totalmente à mostra, formando uma paisagem insólita. Vida não falta no mangue, vimos caranguejos, borboletas azuis e até um pica-pau lindo. Ali pode-se catar o turu, um verme muito longo que vive dentro de troncos podres de árvores caídas, com o qual se faz o famoso caldo de turu, prato típico da ilha. Por ser muito energético, o turu é conhecido como “viagra do Marajó”!

A trilha no mangue termina numa praia deserta e linda, mas que não pudemos aproveitar. Fomos embora antes do meio-dia para seguir viagem de volta a Belém, última etapa desta expedição.

 

In our last hours in Marajó, we decided to know São Jerônimo Farm. Besides producing coconut, they also make trips with visitors around its area. We discovered that the journalist Celso Fioravante (known for his project mapa das artes) is an old friend of São Jerônimo Farm’s owners. He is the author of the only touristic map that exists in Soure.

In our visit, we mounted on buffalos. The animals are very calm, and from close we can feel their strenght, their heavy structure, the though leather and the amazing hores.

We got off the buffalos and went walking through a narrow bridge inside the most grandious mangue that one could imagine: its not only a large area, but also its trees are super high, with giant and visible roots, forming a very insolite landscape. There’s a lot of life in the Mangue: crabs, blue butterflies and we even saw a wood picker bird. There local people can pick up the turu, a very long worm that lives inside rotten logs of fallen trees, with which they make the famous turu broth, dish of the island. It is very energetic, that is why turu is known as “Marajó’s viagra”!

The track inside the Mangue ends up in a beautiful and desert beach, which we couldnt enjoy. We left before midday in order to go back to Belém, the last stage of this expedition.

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Pela manhã visitamos o ateliê do ceramista Ronaldo Guedes, bem afastado do centro de Soure. O processo dele não usa nenhuma química artificial na cerâmica, é tudo muito simples e natural, ele coleta os materiais no seu entorno e até no próprio quintal. Ronaldo também pesquisa e busca resgatar o passado histórico dos índios de Marajó, que tiveram uma produção cerâmica bastante desenvolvida.

O espaço do ateliê é bem aconchegante e lá Ronaldo nos mostrou em detalhes como produz as peças, desde a modelagem da argila até a queima no forno que ele mesmo construiu, passando pela coloração e desenhos nas peças (veja o vídeo abaixo).

Pegamos um mototáxi, muito comum por aqui, e fomos à balsa que atravessa o rio até a cidade vizinha, Salvaterra. Lá pegamos um táxi e fomos até a praia de um bairro chamado Joanes.

Nessa praia de rio, ao invés de catar conchinhas na areia, catamos sementes! É incrível a quantidade e diversidade delas pela areia: há sementes de seringa, andiroba, jatobá , buriti e muitas outras. Vimos sementes de formas desconhecidas e cascas com texturas não vistas antes. Há também uma boa quantidade de lixo na praia, se misturando à matéria orgânica.

Para fechar o dia, um lindo pôr-do-sol amazônico na travessia de volta pela balsa.

 

 

In the morning we visited the atelier of the ceramist Ronaldo Guedes, very far from the center of Soure. His process doesnt use any artificial chemistry in the ceramics, everything is very simple and natural: he collects the materials in his surroundings and even in his own backyard. Ronaldo also researches and tries to review the historical past of the Marajó indians, who had a very developed ceramic production.

The space of the atelier is very cozy and there Ronaldo showed us in details how he produces the pieces, from the modelling to the burning of it in the oven he had built himself, passing through the stages of coloring and drawing (watch the video above).

We then took a mototaxi (very commun here) and went to the neighbour city, Salvaterra. There we took a taxi and went till the beach of Joanes’ district.

In this river beach, instead of finding and getting shells, we got seeds! Its amazing the amount and the diversity of seeds all around the sand: we could see seeds of seringa, andiroba, jatobá, buriti and many others. We saw seeds with unknown shapes and also tree skins with textures not seen before. There’s also a good amount of trash in the sand, mixed with the organic materials.

To finish our day, a wonderful amazonic sunset.

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Para aproveitar Marajó num domingo, o dono da pousada que estamos emprestou uma bicicleta, muito adequada à escala da cidade. Interessante mencionar que ninguém aqui usa cadeados!

Seguimos a sugestão de visitar o mercado municipal de Soure. Ele estava bem vazio e desanimado, porém atras dele descobrimos que há diversas lojas que vendem madeiras para construção civil. Conversamos com um dos donos, que contou que a maioria das madeiras vem de áreas próximas à ilha. Ele disse também que muitas das madeiras são ilegais, não tem nota fiscal – e se fossem legais ninguém por aqui compraria devido ao custo.

Seguimos de bike até uma área mais afastada, onde fica o Curtume Marajó. Lá conversamos com o Antenor, dono do local, que nos explicou tudo sobre a produção do material e dos artefatos de couro de búfalo. Filmamos ele em suas instalações explicando todo o processo de curtição e tingimento do couro, que é 100% natural. A fábrica-loja fica em frente ao matadouro da cidade, e ambos estão na beira de um rio, para onde escorrem os resíduos não-poluentes do curtume.

Para aproveitar o resto do domingo fomos de bike até a praia do Pesqueiro, que fica a 10km desde Soure. No caminho, muitas casas simples de taipa, mais usada do que a palha por aqui. Vimos também um belíssimo mangue – vegetação que nasce no encontro do rio com o mar. As raízes das árvores ficam à vista, formando entrelaçados incríveis.

Abaixo imagens: loja de madeiras, loja do curtume, casas de taipa e mangue.

 

To enjoy Marajó in a Sunday, the owner of the pousada we are staying at lended us a bike, very adequate to the city scale. Its interesting to mention that nobody uses chains to lock it here!

We followed the suggestion to take a look at Soure’s Market. It was very empty, but just behind it we found a lot of shops that sell wood to the construction field. We spoke with one of the owners, that told us that the majority of the woods come from areas close to the island. He also said that many woods are illegal, they don’t have any kind of receipt – and if they were legal nobody would buy it, because they would cost too much.

We went biking to a more far away area, where the Curtume Marajó is located. There we spoke to Antenor, the owner of the palce, who explained us everything about the production of the material and the objects made out of buffalo leather. We shooted him explaining the 100% natural process of producing and dyeing the leather. The industry and shop are in front of the slaughterhouse, and both are standing by the river, where all the non-polluent residues are discharged.

To enjoy the rest of the Sunday we went biking till Pesqueiro Beach, located 10km from Soure. On our way, many simple houses made out of earth, which in Marajó seems more common than straw houses. We also saw a beautiful mangue – the vegetation that appears in the meeting of the sea with the river. The roots of the trees are all up from the soil, showing amazing interlaced effects.

Above images: wood shop, buffalo leather shop, earth houses and mangue.

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Saímos de Belém antes do sol nascer e chegamos em Soure, considerada capital do Marajó, quase meio-dia. Mais uma vez, viagens que parecem simples acabam sendo bem mais longas do que o esperado. Porém a paisagem compensa a distância: é impossível não admirar sob os mais diversos ângulos o rio e a mata densa.

À tarde saímos para andar por Marajó e imediatamente demos de cara com vários búfalos soltos! Eles passeiam e pastam tranquilamente pelas ruas da cidade, é chocante! Também nos impressionamos com a quantidade de bicicletas por aqui. Esse parece ser o meio de transporte mais utilizado pelos moradores.

Outra coisa que observamos bastante foram as casas e ruas de Soure. Vimos muitas casas construídas de uma mesma maneira engraçada e diferente, que um morador definiu como “estilo raio que o parta”. Já a rua da nossa pousada é um gramado: não há asfalto, chão de terra ou calçada, mais parece uma grande praça por onde passam algumas motos. Interessante ver que esse gramado invade os jardins chegando até a porta da casa das pessoas, conectando os espaços públicos e privados.

Por fim visitamos a SOMA – Sociedade Marajoara de Artes. Trata-se de um grupo que organiza e vende a produção de artesãos locais, existente desde 2007. Fátima, uma das líderes mais antigas da Sociedade, nos contou que em geral o artesanato não é visto como uma oportunidade pelas autoridades nem pelas pessoas, e por isso a loja da SOMA anda bastante devagar. A SOMA pretende em breve abrir uma escola de artesanato, retomando uma atividade que poderia gerar uma boa renda, segundo ela.

A seguir imagens de búfalos soltos na rua e das casas e ruas peculiares de Marajó.

 

We left Belém before the sunrise and arrived in Soure, city considered the capital of Marajó, almost at midday. Again it happens that a trip that seems simple end up being much longer than expected. However the landscape view compensates the distance: its impossible not to admire the river and the forest from the most diverse angles.

In the afternoon we went for a walk in Marajó and immediately bumped into many buffalos! They stroll around calmly on the city’s streets, its shocking! We were also impressed by the amount of bicycles in here. This seems to be the main means of transportation of the inhabitants.

Another thing we observed were the houses and streets of Soure. We saw many houses of the city built in the same funny and different style. The street of our pousada is actually a grass field: there’s no asphalt, earth floor or pavement; it looks like a park or square where some motorcycles can pass by. Its interesting to see that the grass invades the gardens of the houses, till their doors, and in this way it connects public and private spaces.

Finally we visited SOMA – Marajó’s Society of Arts. It is a group that organizes and sells the production of local artisans, existant since 2007. Fátima, one of the oldest leaders of the Society, told us that crafts in general is not seen as an opportunity neither by the authorities or by the people, that’s why their shop is going so slow. SOMA intends now to open a craft school, reintroducing activities that can generate a good source of income, as Fátima says.

See above images of the buffalos walking free in the city and the peculiar houses and streets of Marajó.

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Nossa grande mesa de trabalho no Sesc Boulevard ficou lotada de objetos concebidos e executados pelos participantes do workshop, que trabalharam o dia todo experimentando com os materiais e produzindo suas ideias. O resultado foram protótipos de objetos bastante diversificados, indo desde esculturas conceituais até móveis e utilitários, pontos de partida para uma discussão sobre sustentabilidade. No final, houve um momento de análise conjunta, onde conversamos sobre os vários aspectos explorados em cada projeto e o interesse de cada um. O processo foi bastante intenso, com um encerramento entusiasmado e emocionante!

Gostaríamos de agradecer o empenho dos participantes e o apoio do Sesc e seus funcionários. A qualidade das discussões e a integração do grupo são provas do sucesso do workshop em Belém e do potencial do grupo.

Confira as fotos de todo o workshop e mais detalhes sobre os projetos nos álbuns Making Of e Objetos na nossa página no Facebook.

 

Our large work table in SESC Boulevard was full of objects designed and executed by the participants of the workshop, who were the whole day experimenting with materials and producing their ideas. The result were very diverse prototypes, ranging  from conceptual sculptures to furniture, all of them starting points for a discussion on sustainability. In the end, we had a moment of group analisys, when we spoke about the many aspects explored in each project and the interest of each one. The whole process was very intense, with an enthusiastic and exciting end!

We would like to thank the commitment of the participants and the support of SESC and its employees.The quality of the discussions and the integration of the group are a proof of the success of the workshop in Belém and of the potential of the group.

Check out the photographs of the whole workshop and more details about the projects in the albums Making Of and Objects on our Facebook page.

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No segundo dia de workshop Objetos da Floresta os participantes foram ao Parque Nacional do Utinga e ao Mercado Ver-o-Peso. A ideia era observar e documentar tudo aquilo que achassem relevante sob o olhar do design, além de definir materiais e conceitos com os quais queiram trabalhar.

No Parque, fomos recebidos por uma borboleta azul – espécie em extinção – e também vimos um macaco solto na mata. Caminhamos até um lindo igarapé de águas claras, onde pudemos lavar os pés depois de uma trilha cheia de lama, devido às chuvas desta época. Os participantes destacaram principalmente as texturas e formas que observaram ali. Já no Ver-o-Peso, que é considerado o maior mercado da Amazônia, os participantes observaram mais a organização dos produtos e as cores.

À tarde voltamos ao SESC e discutimos a percepção de cada um, as oportunidades que perceberam e a ideia que pretendem desenvolver no protótipo.

Veja abaixo fotos do igarapé e da planta seca coletada pelo participante Misael Lima e confira os demais registros fotográficos no álbum do Objetos da Floresta no Facebook.

 

During the second day of workshop, the participants went to the Park of Utinga and to the Ver-o-Peso Market. The idea was to observe and document everything that they thought could be usefull to design, besides defining materials and concepts which they would like to work with.

At the Park, we were received by a blue butterfly – a species in extintion – and we also saw a monkey  in the forest. We walked till an “Igarapé” (place with water), with super clear water, where we could wash our feet after stepping on the mud, result of the rainy season. The participants noticed mainly  textures and shapes. At Ver-o-Peso, considered the biggest market of the Amazon, the participants enhanced the organization of the products and the colors.

In the afternoon we went back to SESC and discussed each one’s perception, the opportunities they saw and the ideas they want to develop in a prototype.

See above pictures of the igarapé and of the dry plant collected by participant Misael Lima and check out the other photographs in the album of Objects of the Forest on Facebook.

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Assim como no primeiro dia de workshop em Manaus, pedimos aos participantes de Belém que se apresentassem mostrando o objeto com o qual mais se identificam. Tivemos muitas surpresas, pois todos trouxeram objetos significativos e interessantes.

Destacaremos aqui alguns dos objetos. A Jonise Nunes, por exemplo, se identifica com seus brincos: são pequenas flores verdadeiras que ela usa e troca todos os dias, ou até no meio do dia, pois com o calor do corpo as flores vão perecendo.

Dois participantes trouxeram cuias. Glauber da Silva trouxe uma mini-cuia que ele sempre carrega consigo, para dispensar os copos descartáveis. Já a Lídia Abrahim  trouxe uma cuia grande, que ela usa para preparar banhos de sais e ervas.

Um objeto bastante inusitado foi a casa de caba, que mais parece uma escultura, trazida pela Gilda Trindade. A caba é um tipo de marimbondo e este é seu ninho. Ficamos todos admirados, pois é, de fato, um perfeito objeto natural.

 

Just as in the first day of workshop in Manaus, we asked the participants in Belém to present themselves by bringing and showing the group an object with which they feel identified. We had a lot of surprises because all the participants brought meaningful and interesting objects.

Here we will give a small sample of these objects. Jonise Nunes, for example, feels identified with her earrings: she uses small real flowers, and she changes them everyday, or even in the middle of the day, since the heat of her body makes the flowers perish.

Two participants brought cuias (half fruit skin, used as a bowl). Glauber da Silva brought a mini-cuia that he always carries with himself in order not to use plastic cups. Lídia Abrahim brought a big cuia, which she uses to prepare the herbs for a bath.

A very unexpected object was the “casa de caba” (“wasp’s house”), that looks more like an sculpture, brought by Gilda Trindade. Caba is a kind of wasp and this is its vespiary. We were all astonished with the look of this perfect natural object.

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Pela manhã fomos conhecer as pessoas e o espaço do SESC Boulevard. A sede do nosso workshop é um casarão antigo reformado, bem em frente à Estação das Docas, a área revitalizada do porto de Belém. As pessoas do SESC – Carol, Bruno, Zé Maria e Miguel – foram extremamente solícitas e também nos contaram sobre vários projetos que têm realizado por aqui.

Almoçamos com uma designer gráfica que é referência no Brasil, a Fernanda Martins. Tivemos uma conversa interessante e prazerosa com ela, seu sobrinho e outras designers do Mapinguari Design, seu escritório. Ela é de São Paulo e mora já há 8 anos aqui. Seu marido, João Meirelles, é o diretor geral do Instituto Peabiru, outra força local importante. Fernanda nos deu um bom panorama do design em Belém e no Pará como um todo, falando tanto de oportunidades quanto de desafios.

À tarde organizamos o material do workshop de amanhã, estamos muito animadas! Por fim, à noite, a convite da Fernanda, assistimos a uma discussão no IAP – Instituto de Arte do Pará – sobre a representação do design e da moda locais no Ministério da Cultura – os chamados Colegiados Setoriais, presentes no Plano Nacional de Cultura.

 

 

During the morning, we went to SESC Boulevard in order to get to know the staff and the space of the workshop. The building of our workshop is an old, reformed house, in front of Estação das Docas, the revitalized part of Belem’s port. The people from SESC – Carol, Bruno, Zé Maria e Miguel – were extremely kind and also took time to tell us about many projects they have been organizing here.

We had lunch with a graphic designer who is a reference in Brazil, Fernanda Martins. We had an interesting and enjoyable talk with her, her nephew and also other designers from Mapinguari Design, her office. She is from São Paulo and lives in Belém for 8 years now. Her husband, João Meirelles, is the main director of Instituto Peabiru, an important local force. Fernanda gave us a good panaorama on the design scene in Belém and at Pará (Belém’s district), talking about opportunities as well as challenges.

In the afternoon we organized tomorrow’s workshop, we are very excited! Finally at night, invited by Fernanda, we went to a discussion at IAP – The Art Institute of Pará – about the political position of local fashion and design representants in the brazilian Ministry of Culture.

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O dia hoje foi de deslocamentos. De Alter do Chão a Santarém e de Santarém a Belém. No primeiro trecho conhecemos o Pedro, dono da pousada em que ficamos hospedadas em Alter. Como filho da terra que é, Pedro está por dentro das coisas e nos apresentou um pouco da dinâmica sócio-ambiental local. Ele nos contou que há uma aldeia indígena dentro da cidade de Alter do Chão, organizada como uma tribo e vivendo integrada à dinâmica urbana. Nos falou da falta de planejamento estratégico por parte do poder público no sentido de alavancar a economia local através do turismo, uma das principais atividades econômicas. Nas principais universidades não há cursos de administração hoteleira, por exemplo, mas há inúmeras faculdades de direito, o que não parece fazer muito sentido. O artesanato, como uma atividade dependente da atividade do turismo, acaba sofrendo as consequências dessas dificuldades administrativas. Na conversa ainda concluímos que é possível dizer que iniciativas de entidades da sociedade civil acabam fazendo mais pelos povos da Amazônia do que o poder público.

No segundo trecho de deslocamento, a grandiosidade da vista aérea do rio Amazonas e suas ramificações. A chegada em Belém é realmente linda, ainda mais num final de tarde com céu aberto. Mais uma vez a natureza da Amazônia mostra sua força. No trajeto de Santarém a Belém veem-se muitos povoados e pequenos grupos de casas completamente afastados, provavelmente acessados apenas por transporte fluvial. Esse isolamento, as grandes distâncias, a presença intensa da natureza na vida humana fazem com que a região Norte seja tão peculiar e interessante e, ao mesmo tempo, são a origem de dificuldades muito sérias. Uma região cheia de paradoxos instigantes.

 

Today was a day of displacement. From Alter do Chão to Santarém and then from Santarém to Belém. In the first part of our trip, we met Pedro, the owner of the hotel where we were staying in. As he was born in Santarem, Pedro knows in deep the local reality and explained us a little about the socio-environmental dynamics. He told us that there is an indian village inside the city of Alter do Chão, organized as a tribe and integrated in the urban living. He spoke about the lack of strategic planning by the government in order to boost the local economy through tourism, one of the main economic activities. In major universities there is no hotel management courses, for example, but there are many law schools, which does not seem to make much sense. The craft, as an activity dependent on tourism, suffers the consequences of administrative difficulties. In the conversation we could conclude that initiatives of NGO’s end up doing more for the people of the Amazon than the government actually does.

In the second part of our displacement, the imensity of the aerial view of the Amazon River and its branches called our attention. The arrival in Belém is really beautiful, especially in late afternoon with clean sky. Again, the nature of Amazon shows its strength. On the way Santarém-Belém, you can see many villages and small groups of houses completely isolated, probably accessed only through the river. This isolation, large distances, the strong presence of nature in human life make Brazil’s North region so peculiar and interesting, and, at the same time, these are the sources of very serious difficulties. Intriguing paradoxes.