(see english below)

Aproveitamos o dia de hoje para conhecer com mais tranquilidade o mercado do Ver-o-Peso. Visitamos também o Mangal das Garças, um parque onde pudemos relaxar e fazer um pequeno balanço da viagem e do projeto como um todo até o fim desta etapa. Houveram vários desafios, estamos aprendendo muito, o experimento continua e o saldo é muito positivo: os dias na Amazônia foram seguidos de descobertas marcantes, emocionantes. É difícil ir embora!

As malas estão prontas. Nosso diário de viagem pára por aqui. Continuaremos, sem regularidade, postando as novidades do projeto, seus desdobramentos. Vida longa aos Objetos da Floresta!

TOP 5 DA EXPEDIÇÃO OBJETOS DA FLORESTA (sem contar os workshops!!!)

1. Contato forte com a natureza no Rio Negro / Parque Anavilhanas

1. Contato intenso com os locais e paisagem da FLONA Tapajós

(não conseguimos decidir o número 1)

3. A experiência única da viagem de barco de linha de Manaus a Santarém

4. As hiper-frutas: tucumã (x-caboclinho) e pupunha (com café).

5. Soure, na Ilha do Marajó: búfalos nas ruas, mangue gigante, estilo das casas, etc

Menções honrosas:  a beleza da vitória-régia e a diversidade e raridade dos objetos da loja de Alter do Chão.


We used our day to see with more time the market Ver-o-Peso. We also visited the Mangal das Garças, a park where we could relax and make a small balance of the trip and the whole project till the end of the present stage. There have been many challenges, we have been learning a lot, the experiment goes on and till now he results are very positive: the Amazon days were full of remarkable, exciting discoveries. Its hard to leave!

The bags are ready. Our diary finishes here. We will keep posting -but not daily – the news about the project and its development. Long life to the Objects of the Forest!

TOP 5 OF THE EXPEDITION OBJECTS OF THE FOREST (whitout considering the workshops!!!)

1. The strong contact with nature at Negro River/ Anavilhanas Park

1. Intense contact with local people and the landscape at FLONA Tapajós

(we couldn’t decide number 1)

3. The unique experience of travelling in a local boat from Manaus to Santarém

4. The hiper-fruits: tucumã (x-caboclinho) and pupunha (with coffee).

5. Soure, at Marajó island: buffalos in the streets, huge mangue, style of the houses, etc

 

Cum laude: the beauty of the vitória-régia and the diversity and rarity of the objects at the shop of Alter do Chão.

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Em nosso penúltimo dia de viagem, estivemos em outra instituição de ensino muito forte em Belém, o IESAM (Instituição de Estudos Superiores da Amazônia), a convite do designer Misael Lima, que é coordenador da pós-graduação e que teve uma participação bastante ativa em nosso workshop semana passada.

Assim como ontem, Andrea deu uma palestra seguida de uma discussão com uma platéia lotada de alunos de design do Instituto. Foi uma recepção calorosa, e foi um prazer comentar qual poderá ser o futuro deste projeto, além de falar sobre questões do design local, tais como a grande diversidade, as oportunidades e as longas distâncias amazônicas. Comentamos também sobre o designer como profissional independente e seus novos métodos inovadores. Foi muito bom ouvir que o projeto instiga e estimula a produção local. Também gostamos da definição de Misael, que disse que estamos “vivendo” o nosso “briefing”, o nosso “chão de fábrica”, ao referir-se à experiência de conhecer, sentir e aprender in loco sobre a Amazônia.

A conversa só terminou porque queríamos ir à Abaetetuba. São duas horas de viagem até esta cidade vizinha, sendo uma hora de barco e outra de ônibus. Lá visitamos um evento que só acontece uma vez por ano: o MiritiFest, o maior festival do Baixo Tocantins.

O festival engloba uma programação com shows, além de uma praça de alimentação e uma feira de produtos feitos de miriti. Miriti é uma árvore símbolo deste município e, tradicionalmente, são feitos brinquedos dela (também chamada bacuri). O material é uma madeira bastante mole, a qual é esculpida e pintada, resultando em objetos bastante coloridos que retratam o cotidiano local: pássaros, cobras, peixes e outros bichos, sendo especialmente típicos os barcos e as rodas-gigantes.

Tivemos uma conversa com Seu Ivan, talentoso artesão e empresário de Abaetetuba, que contou e demonstrou como se trabalha com miriti – veja o vídeo abaixo.

 

Today we were in another very strong educational institution in Belém, IESAM (Institution of Superior Studies of the Amazon), invited by designer Misael Lima, who is the post-graduation coordinator and had an active participation in our workshop last week.

As yesterday, Andrea gave a lecture followed by a discussion with an audience full of design students. It was a very warm reception, and it was a pleasure to comment on what can be the future of this project, besides talking about the local design issues, such as the big diversity, the opportunities and the long amazonic distances. We also spoke about the designer as an independent professional and our new, innovative methods. It was very nice to hear that this project instigates and encourages the local production. We also loved the definition of Misael, who said that we are “living” our “briefing”, our “floor of the industry”, mentioning the exprience to get to know, feel and learn about the Amazon in loco.

The talk just came to an end because we wanted to go to Abaetetuba. It’s a 2 hour trip to this neighbour city, one in a boat and another in a bus. There, we visited an event that only happens once a year: the MiritiFest, the biggest festival of the lower part of river Tocantins.

This festival includes a program with musical shows, besides food and a fair of miriti products. Miriti is a tree (also called bacuri) which is the symbol of the city and, tradicionally, its material is used to make toys. It consists in a very soft wood, which is sculpted and painted, resulting in colorful objects that depict the daily local life and nature: birds, snakes, fishes and other animals, and the typical boats and ferris-weel.

We had a talk with Mr. Ivan, a talented artisan and entrepreneur of Abaetetuba, who told and showed us how to work with miriti. The video can be found above.

 

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Hoje cedo, a convite da Prof. Roberta Rodrigues, fizemos uma vista ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPA (Universidade Federal do Pará), onde Andrea deu uma palestra sobre seus trabalhos de design e sobre o projeto Objetos da Floresta.

A palestra foi seguida de uma intensa conversa com os alunos e demais ouvintes, todos muito interessados e críticos, onde falamos da banalização do olhar cotidiano e de elementos da cultura popular; da questão sustentabilidade versus tecnologia; das transformações do mercado de trabalho no design e arquitetura; além da necessidade de maior experimentalismo e de uma postura propositiva numa nova geração de profissionais de artes aplicadas. Foi especialmente elogiado o aspecto do resgate cultural do nosso projeto e de sua aplicação num contexto contemporâneo, onde as relações homem-natureza necessitam revisão.

No meio destas discussões, uma aluna comentou um detalhe que não conhecíamos, que se relaciona ao design e à Belém. Ela contou que é muito comum a venda de açaí na porta de algumas casas da periferia, e, para sinalizar que têm açaí, os vendedores possuem um “código”. Eles fazem e penduram na porta de suas casas um objeto que é uma luminária: meia garrafa pet pintada de vermelho com uma luz dentro. Se a luz está acesa, de longe o freguês sabe que está aberto e que tem açaí.

Depois desta conversa, tivemos um almoço animado com a Roberta e com o diretor da unidade, Prof. Juliano Ximenes. Comentando sobre o caso do açaí, Juliano lembrou da foto de um artista de Belém chamado Luiz Braga. O portfolio deste fotógrafo possui muitas imagens feitas aqui na região, que ele retrata de uma forma poética e com um uso único de cor e luzes.

Tentamos à tarde ir à Icoaraci – cidade vizinha, pólo produtor de cerâmica artesanal. Ouvimos dizer que lá os objetos são baseados na coleção de cerâmica marajoara do Museu Goeldi. Também ouvimos dizer que a produção é muito “turística”, que os artesãos temem a concorrência dos designers, e que há muito preconceito de “intelectuais” com o que é feito lá. Essas informações nos instigaram a planejar uma visita, mas há duas obras na estrada de acesso e o trânsito não nos permitiu chegar à Icoaraci…

Voltamos à Belém e aproveitamos o fim da tarde para visitar dois museus: o acervo da Casa das Onze Janelas e o Museu do Encontro, no Forte do Presépio. No primeiro, chamaram a atenção alguns desenhos de um artista dos anos 20 chamado Manoel Pastana, que projetou móveis e painéis com motivos amazônicos. Já no Museu do Encontro, vimos uma exposição que continha alguns exemplares da verdadeira e autêntica cerâmica Marajoara, datada de muitos séculos atrás.

Abaixo, “Lâmpada açaí” – de Luiz Braga (acervo online MAM); desenhos de frisa decorativa com motivo caranguejo e luminária com motivo jabuti da mata por Manoel Pastana; e urna funerária Marajoara.

 

This morning, invited by teacher Roberta Rodrigues, we made a visit to the Department of Architecture and Urbanism of UFPA (University of Pará), where Andrea gave a lecture on her design works including the project Objetos da Floresta.

The lecture was followed by an intense talk with the students and public, who had an interested and critical view. We spoke about the trivialization of our daily life and of our cultural elements; the issue of sustainability versus technology; the change of the architecture and design work fields; besides the need of a more experimental and propositive posture in the new generation of applied arts professionals. The aspect of reconsidering the local culture and applying it in contemporary contexts, inherent to our project, was especially praised by our audience, who also believes that the relationship between man and nature needs revision.

In the middle of these discussions, a student made a comment about something we didn’t knew, related to design and to Belém. She told us that here it is very common to sell açaí (a local juice fruit) in front of the house’s doors in the suburbs. To show that they have the product, the sellers have a “code” with their clients. They create and they hang on their doors an object that is a lamp: they paint a pet bottle red and cut it half, putting a lamp inside. If the light is on, the clients know that it is because it’s open and there’s fresh açaí.

After this talk, we had an enjoyable lunch with Roberta and the Department Director, Prof. Juliano Ximenes. Still commenting on the açaí “culture”, Juliano remembered the picture that a local artist, Luiz Braga, made out of it. The portfolio of this photographer has many images taken around Belém’s area, and he depicts it in a poetic way, with an unique use of light and colors.

In the afternoon we tried to go to Icoaraci – a neighbour city, pole of artisanal ceramics. We heard that the objects there are based on the collection of marajoara ceramics of the Goeldi Museum. We also heard that the local production is very “touristic”, that the artisans are afraid of the competition with designers and the “intelectuals” have prejudices with the things that are made there. These information made us willing to make a visit, however at the moment there are two constructions in the road and the huge traffic jam didn’t let us arrive there…

We came back to Belém and used our late afternoon hours to see two museums: the House of the Eleven Windows and the Museu do Encontro, at the Forte do Presépio. In the first, what came out were some drawings of an artist of the 20’s called Manoel Pastana, who designed furniture and pannels with amazonic themes. At the Museu do Encontro, we saw an exhibition that had some examples of the authentic Marajoara Ceramics, from centuries ago.

Above, “Lâmpada açaí” – from Luiz Braga (online archive MAM); drawings of wallpaper (crab theme) and lamp (turtle theme) by Manoel Pastana; and Marajoara funerary urn.

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Muitas atividades no dia de hoje, todas cheias de informações novas e instigantes. Primeiro fizemos um longo passeio pelo Museu Emílio Goeldi, onde pudemos ver de perto inúmeras espécies da flora e fauna amazônicas, concentradas num grande quarteirão no meio da cidade de Belém. Os animais são impressionantes – onças, anta, guarás, gaviões reais, ariranhas e as simpáticas cotias, que vivem soltas e a toda hora atravessavam nosso caminho apressadas. Um elemento que se destaca é o encantador lago das vitórias-régias: elas são enormes, mas leves e delicadas ao mesmo tempo. Vimos também a livraria do Museu, onde encontram-se publicações sobre a Amazônia, de botânica a arqueologia.

Depois do Museu, demos uma olhada no mercado de São Brás. Passamos rápido e acabamos nos detendo apenas na parte de movelaria e artigos de umbanda.

Na UEPA (Universidade Estadual do Pará) fomos bem recebidas pela coordenadora do curso de design, a professora Rosângela Gouvêa. Ela nos mostrou a estrutura da escola e nos contou um pouco sobre como funciona o curso e o mercado por aqui. O bacharelado foi criado há 13 anos, tem campus em Belém e na cidade de Paragominas. Há interesse em desenvolver a área na região, mas o design no Pará é bastante dependente de iniciativas governamentais, por meio de projetos de incentivo. Há muita vida no design por aqui, muita vontade fazer e muito talento! Entre os projetos que Rosângela nos apresentou estão a biblioteca de materiais e o Deproma (Desenvolvimento de produtos com materiais amazônicos), de grande valor para os alunos, pesquisadores e profissionais em geral.

Dali seguimos para o Pólo Joalheiro, local criado por um projeto do Governo do Estado. Ele concentra um museu de gemas do Pará, uma capela, espaços de joalherias comerciais e lojas de artesanato, tudo instalado no prédio de um antigo presídio. O espaço é bem organizado e tem boa estrutura para exposição e negócios. Próximo às joalherias, há uma espécie de ateliê-vitrine, onde os ourives podem ser vistos produzindo as peças que são vendidas ao lado.

 

Today we had many activities, all very full of new and intriguing information. Firstly, we went for a long visit to the Emilio Goeldi Museum, where we could see from close many species of the amazonic fauna and flora concentrated in the middle of the city of Belém. The animals are impressive – onças, anta, guarás, gaviões reais, ariranhas and the cotias – the last are walking free and crossed our path all the time. An element that comes out is the enchanting lake of the vitórias-régias: these plants are huge, but also light and delicate at the same time. We finally saw the bookshop of the Museum, where one can find publications about the Amazon, on Botanic and Archaeology.

After the Museum, we passed by the São Brás Market. We saw it quickly, focusing in the sector of furniture and umbanda articles.

At UEPA (University of Pará’s  District) we were received by the coordinator of the Design course, teacher Rosângela Gouvêa. She showed us the school’s structure and told us about how the course and the market work. The bachelors course was created 13 years ago, and has a campus at the cities of Belém and Paragominas. There’s interest in developing this field in the region, however design in Pará is very dependant on government projects and subsidies. There’s a lot of life, talent and drive to make design here. Among the projects that Rosângela showed us are the material library and the Deproma (Development of Projects with Amazonic Materials), with great value for the students, researchers and professionals in general.

From UEPA we went to the Jewelry Pole, a place created by Pará’s government. It houses the Museum of Gems of Pará, a chapel, spaces for commercial jewelry and craft shops, all inside an old prision’s building. The space is very organized and has a nice structure for exhibitions and business. Close to the jewel shops there’s a kind of window-atelier, where we can see the jewel craftsmen working on pieces that will be sold in the shops nearby.

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Em nossas últimas horas em Marajó, resolvemos conhecer a Fazenda São Jerônimo. Além de produzir coco verde, eles realizam passeios com os visitantes. Descobrimos que o jornalista Celso Fioravante, do Mapa das Artes, é amigo dos donos da São Jerônimo há anos e inclusive foi o responsável pela pesquisa e produção do único mapa turístico de Soure.

Em nosso passeio, montamos em búfalos. Eles são animais muito tranquilos de montar e, de perto, pudemos sentir sua força, a estrutura pesada, o couro grosso e os enormes chifres.

Desmontamos dos búfalos e fomos caminhando por uma ponte estreita dentro do mangue mais grandioso que se possa imaginar: ele não só se estende a perder de vista, mas também suas árvores são altíssimas, com raízes gigantes e totalmente à mostra, formando uma paisagem insólita. Vida não falta no mangue, vimos caranguejos, borboletas azuis e até um pica-pau lindo. Ali pode-se catar o turu, um verme muito longo que vive dentro de troncos podres de árvores caídas, com o qual se faz o famoso caldo de turu, prato típico da ilha. Por ser muito energético, o turu é conhecido como “viagra do Marajó”!

A trilha no mangue termina numa praia deserta e linda, mas que não pudemos aproveitar. Fomos embora antes do meio-dia para seguir viagem de volta a Belém, última etapa desta expedição.

 

In our last hours in Marajó, we decided to know São Jerônimo Farm. Besides producing coconut, they also make trips with visitors around its area. We discovered that the journalist Celso Fioravante (known for his project mapa das artes) is an old friend of São Jerônimo Farm’s owners. He is the author of the only touristic map that exists in Soure.

In our visit, we mounted on buffalos. The animals are very calm, and from close we can feel their strenght, their heavy structure, the though leather and the amazing hores.

We got off the buffalos and went walking through a narrow bridge inside the most grandious mangue that one could imagine: its not only a large area, but also its trees are super high, with giant and visible roots, forming a very insolite landscape. There’s a lot of life in the Mangue: crabs, blue butterflies and we even saw a wood picker bird. There local people can pick up the turu, a very long worm that lives inside rotten logs of fallen trees, with which they make the famous turu broth, dish of the island. It is very energetic, that is why turu is known as “Marajó’s viagra”!

The track inside the Mangue ends up in a beautiful and desert beach, which we couldnt enjoy. We left before midday in order to go back to Belém, the last stage of this expedition.

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Pela manhã visitamos o ateliê do ceramista Ronaldo Guedes, bem afastado do centro de Soure. O processo dele não usa nenhuma química artificial na cerâmica, é tudo muito simples e natural, ele coleta os materiais no seu entorno e até no próprio quintal. Ronaldo também pesquisa e busca resgatar o passado histórico dos índios de Marajó, que tiveram uma produção cerâmica bastante desenvolvida.

O espaço do ateliê é bem aconchegante e lá Ronaldo nos mostrou em detalhes como produz as peças, desde a modelagem da argila até a queima no forno que ele mesmo construiu, passando pela coloração e desenhos nas peças (veja o vídeo abaixo).

Pegamos um mototáxi, muito comum por aqui, e fomos à balsa que atravessa o rio até a cidade vizinha, Salvaterra. Lá pegamos um táxi e fomos até a praia de um bairro chamado Joanes.

Nessa praia de rio, ao invés de catar conchinhas na areia, catamos sementes! É incrível a quantidade e diversidade delas pela areia: há sementes de seringa, andiroba, jatobá , buriti e muitas outras. Vimos sementes de formas desconhecidas e cascas com texturas não vistas antes. Há também uma boa quantidade de lixo na praia, se misturando à matéria orgânica.

Para fechar o dia, um lindo pôr-do-sol amazônico na travessia de volta pela balsa.

 

 

In the morning we visited the atelier of the ceramist Ronaldo Guedes, very far from the center of Soure. His process doesnt use any artificial chemistry in the ceramics, everything is very simple and natural: he collects the materials in his surroundings and even in his own backyard. Ronaldo also researches and tries to review the historical past of the Marajó indians, who had a very developed ceramic production.

The space of the atelier is very cozy and there Ronaldo showed us in details how he produces the pieces, from the modelling to the burning of it in the oven he had built himself, passing through the stages of coloring and drawing (watch the video above).

We then took a mototaxi (very commun here) and went to the neighbour city, Salvaterra. There we took a taxi and went till the beach of Joanes’ district.

In this river beach, instead of finding and getting shells, we got seeds! Its amazing the amount and the diversity of seeds all around the sand: we could see seeds of seringa, andiroba, jatobá, buriti and many others. We saw seeds with unknown shapes and also tree skins with textures not seen before. There’s also a good amount of trash in the sand, mixed with the organic materials.

To finish our day, a wonderful amazonic sunset.

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Para aproveitar Marajó num domingo, o dono da pousada que estamos emprestou uma bicicleta, muito adequada à escala da cidade. Interessante mencionar que ninguém aqui usa cadeados!

Seguimos a sugestão de visitar o mercado municipal de Soure. Ele estava bem vazio e desanimado, porém atras dele descobrimos que há diversas lojas que vendem madeiras para construção civil. Conversamos com um dos donos, que contou que a maioria das madeiras vem de áreas próximas à ilha. Ele disse também que muitas das madeiras são ilegais, não tem nota fiscal – e se fossem legais ninguém por aqui compraria devido ao custo.

Seguimos de bike até uma área mais afastada, onde fica o Curtume Marajó. Lá conversamos com o Antenor, dono do local, que nos explicou tudo sobre a produção do material e dos artefatos de couro de búfalo. Filmamos ele em suas instalações explicando todo o processo de curtição e tingimento do couro, que é 100% natural. A fábrica-loja fica em frente ao matadouro da cidade, e ambos estão na beira de um rio, para onde escorrem os resíduos não-poluentes do curtume.

Para aproveitar o resto do domingo fomos de bike até a praia do Pesqueiro, que fica a 10km desde Soure. No caminho, muitas casas simples de taipa, mais usada do que a palha por aqui. Vimos também um belíssimo mangue – vegetação que nasce no encontro do rio com o mar. As raízes das árvores ficam à vista, formando entrelaçados incríveis.

Abaixo imagens: loja de madeiras, loja do curtume, casas de taipa e mangue.

 

To enjoy Marajó in a Sunday, the owner of the pousada we are staying at lended us a bike, very adequate to the city scale. Its interesting to mention that nobody uses chains to lock it here!

We followed the suggestion to take a look at Soure’s Market. It was very empty, but just behind it we found a lot of shops that sell wood to the construction field. We spoke with one of the owners, that told us that the majority of the woods come from areas close to the island. He also said that many woods are illegal, they don’t have any kind of receipt – and if they were legal nobody would buy it, because they would cost too much.

We went biking to a more far away area, where the Curtume Marajó is located. There we spoke to Antenor, the owner of the palce, who explained us everything about the production of the material and the objects made out of buffalo leather. We shooted him explaining the 100% natural process of producing and dyeing the leather. The industry and shop are in front of the slaughterhouse, and both are standing by the river, where all the non-polluent residues are discharged.

To enjoy the rest of the Sunday we went biking till Pesqueiro Beach, located 10km from Soure. On our way, many simple houses made out of earth, which in Marajó seems more common than straw houses. We also saw a beautiful mangue – the vegetation that appears in the meeting of the sea with the river. The roots of the trees are all up from the soil, showing amazing interlaced effects.

Above images: wood shop, buffalo leather shop, earth houses and mangue.