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Author Archives: andreabandoni

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Em nossas últimas horas em Marajó, resolvemos conhecer a Fazenda São Jerônimo. Além de produzir coco verde, eles realizam passeios com os visitantes. Descobrimos que o jornalista Celso Fioravante, do Mapa das Artes, é amigo dos donos da São Jerônimo há anos e inclusive foi o responsável pela pesquisa e produção do único mapa turístico de Soure.

Em nosso passeio, montamos em búfalos. Eles são animais muito tranquilos de montar e, de perto, pudemos sentir sua força, a estrutura pesada, o couro grosso e os enormes chifres.

Desmontamos dos búfalos e fomos caminhando por uma ponte estreita dentro do mangue mais grandioso que se possa imaginar: ele não só se estende a perder de vista, mas também suas árvores são altíssimas, com raízes gigantes e totalmente à mostra, formando uma paisagem insólita. Vida não falta no mangue, vimos caranguejos, borboletas azuis e até um pica-pau lindo. Ali pode-se catar o turu, um verme muito longo que vive dentro de troncos podres de árvores caídas, com o qual se faz o famoso caldo de turu, prato típico da ilha. Por ser muito energético, o turu é conhecido como “viagra do Marajó”!

A trilha no mangue termina numa praia deserta e linda, mas que não pudemos aproveitar. Fomos embora antes do meio-dia para seguir viagem de volta a Belém, última etapa desta expedição.

 

In our last hours in Marajó, we decided to know São Jerônimo Farm. Besides producing coconut, they also make trips with visitors around its area. We discovered that the journalist Celso Fioravante (known for his project mapa das artes) is an old friend of São Jerônimo Farm’s owners. He is the author of the only touristic map that exists in Soure.

In our visit, we mounted on buffalos. The animals are very calm, and from close we can feel their strenght, their heavy structure, the though leather and the amazing hores.

We got off the buffalos and went walking through a narrow bridge inside the most grandious mangue that one could imagine: its not only a large area, but also its trees are super high, with giant and visible roots, forming a very insolite landscape. There’s a lot of life in the Mangue: crabs, blue butterflies and we even saw a wood picker bird. There local people can pick up the turu, a very long worm that lives inside rotten logs of fallen trees, with which they make the famous turu broth, dish of the island. It is very energetic, that is why turu is known as “Marajó’s viagra”!

The track inside the Mangue ends up in a beautiful and desert beach, which we couldnt enjoy. We left before midday in order to go back to Belém, the last stage of this expedition.

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Pela manhã visitamos o ateliê do ceramista Ronaldo Guedes, bem afastado do centro de Soure. O processo dele não usa nenhuma química artificial na cerâmica, é tudo muito simples e natural, ele coleta os materiais no seu entorno e até no próprio quintal. Ronaldo também pesquisa e busca resgatar o passado histórico dos índios de Marajó, que tiveram uma produção cerâmica bastante desenvolvida.

O espaço do ateliê é bem aconchegante e lá Ronaldo nos mostrou em detalhes como produz as peças, desde a modelagem da argila até a queima no forno que ele mesmo construiu, passando pela coloração e desenhos nas peças (veja o vídeo abaixo).

Pegamos um mototáxi, muito comum por aqui, e fomos à balsa que atravessa o rio até a cidade vizinha, Salvaterra. Lá pegamos um táxi e fomos até a praia de um bairro chamado Joanes.

Nessa praia de rio, ao invés de catar conchinhas na areia, catamos sementes! É incrível a quantidade e diversidade delas pela areia: há sementes de seringa, andiroba, jatobá , buriti e muitas outras. Vimos sementes de formas desconhecidas e cascas com texturas não vistas antes. Há também uma boa quantidade de lixo na praia, se misturando à matéria orgânica.

Para fechar o dia, um lindo pôr-do-sol amazônico na travessia de volta pela balsa.

 

 

In the morning we visited the atelier of the ceramist Ronaldo Guedes, very far from the center of Soure. His process doesnt use any artificial chemistry in the ceramics, everything is very simple and natural: he collects the materials in his surroundings and even in his own backyard. Ronaldo also researches and tries to review the historical past of the Marajó indians, who had a very developed ceramic production.

The space of the atelier is very cozy and there Ronaldo showed us in details how he produces the pieces, from the modelling to the burning of it in the oven he had built himself, passing through the stages of coloring and drawing (watch the video above).

We then took a mototaxi (very commun here) and went to the neighbour city, Salvaterra. There we took a taxi and went till the beach of Joanes’ district.

In this river beach, instead of finding and getting shells, we got seeds! Its amazing the amount and the diversity of seeds all around the sand: we could see seeds of seringa, andiroba, jatobá, buriti and many others. We saw seeds with unknown shapes and also tree skins with textures not seen before. There’s also a good amount of trash in the sand, mixed with the organic materials.

To finish our day, a wonderful amazonic sunset.

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Para aproveitar Marajó num domingo, o dono da pousada que estamos emprestou uma bicicleta, muito adequada à escala da cidade. Interessante mencionar que ninguém aqui usa cadeados!

Seguimos a sugestão de visitar o mercado municipal de Soure. Ele estava bem vazio e desanimado, porém atras dele descobrimos que há diversas lojas que vendem madeiras para construção civil. Conversamos com um dos donos, que contou que a maioria das madeiras vem de áreas próximas à ilha. Ele disse também que muitas das madeiras são ilegais, não tem nota fiscal – e se fossem legais ninguém por aqui compraria devido ao custo.

Seguimos de bike até uma área mais afastada, onde fica o Curtume Marajó. Lá conversamos com o Antenor, dono do local, que nos explicou tudo sobre a produção do material e dos artefatos de couro de búfalo. Filmamos ele em suas instalações explicando todo o processo de curtição e tingimento do couro, que é 100% natural. A fábrica-loja fica em frente ao matadouro da cidade, e ambos estão na beira de um rio, para onde escorrem os resíduos não-poluentes do curtume.

Para aproveitar o resto do domingo fomos de bike até a praia do Pesqueiro, que fica a 10km desde Soure. No caminho, muitas casas simples de taipa, mais usada do que a palha por aqui. Vimos também um belíssimo mangue – vegetação que nasce no encontro do rio com o mar. As raízes das árvores ficam à vista, formando entrelaçados incríveis.

Abaixo imagens: loja de madeiras, loja do curtume, casas de taipa e mangue.

 

To enjoy Marajó in a Sunday, the owner of the pousada we are staying at lended us a bike, very adequate to the city scale. Its interesting to mention that nobody uses chains to lock it here!

We followed the suggestion to take a look at Soure’s Market. It was very empty, but just behind it we found a lot of shops that sell wood to the construction field. We spoke with one of the owners, that told us that the majority of the woods come from areas close to the island. He also said that many woods are illegal, they don’t have any kind of receipt – and if they were legal nobody would buy it, because they would cost too much.

We went biking to a more far away area, where the Curtume Marajó is located. There we spoke to Antenor, the owner of the palce, who explained us everything about the production of the material and the objects made out of buffalo leather. We shooted him explaining the 100% natural process of producing and dyeing the leather. The industry and shop are in front of the slaughterhouse, and both are standing by the river, where all the non-polluent residues are discharged.

To enjoy the rest of the Sunday we went biking till Pesqueiro Beach, located 10km from Soure. On our way, many simple houses made out of earth, which in Marajó seems more common than straw houses. We also saw a beautiful mangue – the vegetation that appears in the meeting of the sea with the river. The roots of the trees are all up from the soil, showing amazing interlaced effects.

Above images: wood shop, buffalo leather shop, earth houses and mangue.

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Saímos de Belém antes do sol nascer e chegamos em Soure, considerada capital do Marajó, quase meio-dia. Mais uma vez, viagens que parecem simples acabam sendo bem mais longas do que o esperado. Porém a paisagem compensa a distância: é impossível não admirar sob os mais diversos ângulos o rio e a mata densa.

À tarde saímos para andar por Marajó e imediatamente demos de cara com vários búfalos soltos! Eles passeiam e pastam tranquilamente pelas ruas da cidade, é chocante! Também nos impressionamos com a quantidade de bicicletas por aqui. Esse parece ser o meio de transporte mais utilizado pelos moradores.

Outra coisa que observamos bastante foram as casas e ruas de Soure. Vimos muitas casas construídas de uma mesma maneira engraçada e diferente, que um morador definiu como “estilo raio que o parta”. Já a rua da nossa pousada é um gramado: não há asfalto, chão de terra ou calçada, mais parece uma grande praça por onde passam algumas motos. Interessante ver que esse gramado invade os jardins chegando até a porta da casa das pessoas, conectando os espaços públicos e privados.

Por fim visitamos a SOMA – Sociedade Marajoara de Artes. Trata-se de um grupo que organiza e vende a produção de artesãos locais, existente desde 2007. Fátima, uma das líderes mais antigas da Sociedade, nos contou que em geral o artesanato não é visto como uma oportunidade pelas autoridades nem pelas pessoas, e por isso a loja da SOMA anda bastante devagar. A SOMA pretende em breve abrir uma escola de artesanato, retomando uma atividade que poderia gerar uma boa renda, segundo ela.

A seguir imagens de búfalos soltos na rua e das casas e ruas peculiares de Marajó.

 

We left Belém before the sunrise and arrived in Soure, city considered the capital of Marajó, almost at midday. Again it happens that a trip that seems simple end up being much longer than expected. However the landscape view compensates the distance: its impossible not to admire the river and the forest from the most diverse angles.

In the afternoon we went for a walk in Marajó and immediately bumped into many buffalos! They stroll around calmly on the city’s streets, its shocking! We were also impressed by the amount of bicycles in here. This seems to be the main means of transportation of the inhabitants.

Another thing we observed were the houses and streets of Soure. We saw many houses of the city built in the same funny and different style. The street of our pousada is actually a grass field: there’s no asphalt, earth floor or pavement; it looks like a park or square where some motorcycles can pass by. Its interesting to see that the grass invades the gardens of the houses, till their doors, and in this way it connects public and private spaces.

Finally we visited SOMA – Marajó’s Society of Arts. It is a group that organizes and sells the production of local artisans, existant since 2007. Fátima, one of the oldest leaders of the Society, told us that crafts in general is not seen as an opportunity neither by the authorities or by the people, that’s why their shop is going so slow. SOMA intends now to open a craft school, reintroducing activities that can generate a good source of income, as Fátima says.

See above images of the buffalos walking free in the city and the peculiar houses and streets of Marajó.

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No segundo dia de workshop Objetos da Floresta os participantes foram ao Parque Nacional do Utinga e ao Mercado Ver-o-Peso. A ideia era observar e documentar tudo aquilo que achassem relevante sob o olhar do design, além de definir materiais e conceitos com os quais queiram trabalhar.

No Parque, fomos recebidos por uma borboleta azul – espécie em extinção – e também vimos um macaco solto na mata. Caminhamos até um lindo igarapé de águas claras, onde pudemos lavar os pés depois de uma trilha cheia de lama, devido às chuvas desta época. Os participantes destacaram principalmente as texturas e formas que observaram ali. Já no Ver-o-Peso, que é considerado o maior mercado da Amazônia, os participantes observaram mais a organização dos produtos e as cores.

À tarde voltamos ao SESC e discutimos a percepção de cada um, as oportunidades que perceberam e a ideia que pretendem desenvolver no protótipo.

Veja abaixo fotos do igarapé e da planta seca coletada pelo participante Misael Lima e confira os demais registros fotográficos no álbum do Objetos da Floresta no Facebook.

 

During the second day of workshop, the participants went to the Park of Utinga and to the Ver-o-Peso Market. The idea was to observe and document everything that they thought could be usefull to design, besides defining materials and concepts which they would like to work with.

At the Park, we were received by a blue butterfly – a species in extintion – and we also saw a monkey  in the forest. We walked till an “Igarapé” (place with water), with super clear water, where we could wash our feet after stepping on the mud, result of the rainy season. The participants noticed mainly  textures and shapes. At Ver-o-Peso, considered the biggest market of the Amazon, the participants enhanced the organization of the products and the colors.

In the afternoon we went back to SESC and discussed each one’s perception, the opportunities they saw and the ideas they want to develop in a prototype.

See above pictures of the igarapé and of the dry plant collected by participant Misael Lima and check out the other photographs in the album of Objects of the Forest on Facebook.

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Assim como no primeiro dia de workshop em Manaus, pedimos aos participantes de Belém que se apresentassem mostrando o objeto com o qual mais se identificam. Tivemos muitas surpresas, pois todos trouxeram objetos significativos e interessantes.

Destacaremos aqui alguns dos objetos. A Jonise Nunes, por exemplo, se identifica com seus brincos: são pequenas flores verdadeiras que ela usa e troca todos os dias, ou até no meio do dia, pois com o calor do corpo as flores vão perecendo.

Dois participantes trouxeram cuias. Glauber da Silva trouxe uma mini-cuia que ele sempre carrega consigo, para dispensar os copos descartáveis. Já a Lídia Abrahim  trouxe uma cuia grande, que ela usa para preparar banhos de sais e ervas.

Um objeto bastante inusitado foi a casa de caba, que mais parece uma escultura, trazida pela Gilda Trindade. A caba é um tipo de marimbondo e este é seu ninho. Ficamos todos admirados, pois é, de fato, um perfeito objeto natural.

 

Just as in the first day of workshop in Manaus, we asked the participants in Belém to present themselves by bringing and showing the group an object with which they feel identified. We had a lot of surprises because all the participants brought meaningful and interesting objects.

Here we will give a small sample of these objects. Jonise Nunes, for example, feels identified with her earrings: she uses small real flowers, and she changes them everyday, or even in the middle of the day, since the heat of her body makes the flowers perish.

Two participants brought cuias (half fruit skin, used as a bowl). Glauber da Silva brought a mini-cuia that he always carries with himself in order not to use plastic cups. Lídia Abrahim brought a big cuia, which she uses to prepare the herbs for a bath.

A very unexpected object was the “casa de caba” (“wasp’s house”), that looks more like an sculpture, brought by Gilda Trindade. Caba is a kind of wasp and this is its vespiary. We were all astonished with the look of this perfect natural object.

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Pela manhã fomos conhecer as pessoas e o espaço do SESC Boulevard. A sede do nosso workshop é um casarão antigo reformado, bem em frente à Estação das Docas, a área revitalizada do porto de Belém. As pessoas do SESC – Carol, Bruno, Zé Maria e Miguel – foram extremamente solícitas e também nos contaram sobre vários projetos que têm realizado por aqui.

Almoçamos com uma designer gráfica que é referência no Brasil, a Fernanda Martins. Tivemos uma conversa interessante e prazerosa com ela, seu sobrinho e outras designers do Mapinguari Design, seu escritório. Ela é de São Paulo e mora já há 8 anos aqui. Seu marido, João Meirelles, é o diretor geral do Instituto Peabiru, outra força local importante. Fernanda nos deu um bom panorama do design em Belém e no Pará como um todo, falando tanto de oportunidades quanto de desafios.

À tarde organizamos o material do workshop de amanhã, estamos muito animadas! Por fim, à noite, a convite da Fernanda, assistimos a uma discussão no IAP – Instituto de Arte do Pará – sobre a representação do design e da moda locais no Ministério da Cultura – os chamados Colegiados Setoriais, presentes no Plano Nacional de Cultura.

 

 

During the morning, we went to SESC Boulevard in order to get to know the staff and the space of the workshop. The building of our workshop is an old, reformed house, in front of Estação das Docas, the revitalized part of Belem’s port. The people from SESC – Carol, Bruno, Zé Maria e Miguel – were extremely kind and also took time to tell us about many projects they have been organizing here.

We had lunch with a graphic designer who is a reference in Brazil, Fernanda Martins. We had an interesting and enjoyable talk with her, her nephew and also other designers from Mapinguari Design, her office. She is from São Paulo and lives in Belém for 8 years now. Her husband, João Meirelles, is the main director of Instituto Peabiru, an important local force. Fernanda gave us a good panaorama on the design scene in Belém and at Pará (Belém’s district), talking about opportunities as well as challenges.

In the afternoon we organized tomorrow’s workshop, we are very excited! Finally at night, invited by Fernanda, we went to a discussion at IAP – The Art Institute of Pará – about the political position of local fashion and design representants in the brazilian Ministry of Culture.

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Ontem já havíamos visto uma loja que chama atenção em Alter do Chão pela fachada cheia de plantas e com paredes feitas de garrafas de vidro. Hoje entramos na Araribá e vimos que ela é mais que isso, possui muito material e parece ser uma forte referência de cultura indígena em escala mundial. O dono viaja para as mais diversas aldeias e comunidades indígenas, especialmente brasileiras, encontrando e escolhendo objetos que coloca à venda aqui.

Muitos dos objetos que temos encontrado têm relação com a cultura indígena, e aqui pudemos ver alguns de seus mais lindos exemplares. Há cuias decoradas, cestos de fibras naturais, vimos bolsas e toalhas de crochê de palha, inúmeros tipos de joias e muito trabalho em madeira. Há redes de materiais naturais e balaios presos por todo o teto da loja, os objetos estão misturados em vez de enfileirados, e ouvem-se músicas indígenas cujos CDS também estão à venda: tudo contribui para criar uma atmosfera irresistível. É realmente impressionante a quantidade e qualidade do que se reuniu aqui. Vale muito a visita.

Mais tarde, à noite, vimos na praça uma discussão local sobre Belo Monte – a polêmica usina hidrelétrica que está sendo construída aqui perto, em Altamira. Duas garotas inglesas que filmaram pessoas de Altamira dando sua opinião sobre a usina estavam projetando os vídeos na praça central e pretendem divulgá-los fora do país. Esse assunto já apareceu algumas vezes em conversas durante a viagem, mas foi a primeira vez que vimos uma discussão pública.

 

Yesterday we saw a shop that calls the attention because of the plants on its facade and the walls made with glass bottles. Today we entered Araribá and we noticed that this shop is possibly a world reference on indigenous culture. The owner travels to far away aldeias and communities in order to find and choose the objects he sells here.

Many of the objects we are finding in our journey have a relationship with the indigenous culture, and at Araribá we could find beautifull exemples.There are decorated bowls, baskets made out of natural fibers, straw crocheted into bags and towells, many kinds of natural jewelry and wood works. There are hammocks and baskets made out of natural materials hanging from all over the ceiling, the objects are mixed instead of being aligned, and you listen to indigenous songs, also for sale in CDS they have: everything contributes to create an irresistable athmosphere. Its really impressive the amount and quality of the objects. It’s definetly worth a visit.

Later on at night, we saw in the main square of Alter do Chão a local discussion about Belo Monte – a polemic water energy usine that is being built in a city very close by, Altamira. Two english girls have filmes people at Altamira giving their opinion about the usine and they were showing the videos that they intend to spread out of Brazil. This subject has appeared in other conversations during our trip, but this was the first time we saw a public discussion on the theme.

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O dia começou com uma visita rápida a um local bem interessante em Santarém: o pequeno museu Dica Frazão. Dona Dica é uma estilista e costureira que se utiliza de materiais naturais para fazer moda, transformando o material bruto em tecidos ou apliques bastante criativos. Vimos, por exemplo, suas toalhas de crochê de palha de buriti, vestidos de patchouli, de juta e de casca de madeira, adornos de flores de pena de ganso, dentre muitas outras peças. Chama muito a atenção o preciosismo da artesã e o espaço do museu, que também é casa e ateliê de Dona Dica, tudo no mesmo lugar!

Depois disso, pegamos um ônibus para a Comunidade Jamaraquá. Em poucos minutos de viagem, conhecemos Nice, a líder da comunidade, que nos deu várias dicas: indicou a casa de sua mãe para pouso (em Jamaraquá não há pousadas) e se prontificou a ajudar-nos a ver a produção do couro de látex. Jamaraquá fica dentro da Flona Tapajós, uma área de reserva bastante controlada: os moradores tiveram que mudar de vida para que a área de conservação fosse criada a partir dos anos 70, o que ainda gera impasses.

Conforme o ônibus avançava, fomos vendo diversas casas de roça, pequenas comunidades e passamos pela cidade de Belterra. É muito comum ver casas com telhado ou até paredes inteiramente de palha, a arquitetura vernacular local. Mesmo muito humildes, as casas têm plantas na frente, formando uma espécie de jardim. Há muitas cercas e varandas de madeira com as ripas formando grafismos, simples e sofisticados ao mesmo tempo.

Já em Jamaraquá, área de muitas seringueiras, visitamos o centro de produção do couro de látex, onde fomos guiadas pelo Seu Dido. Ele mostrou todas as etapas de fabricação deste material, que ainda é pouco usado.

Jantamos na casa da mãe da Nice, Dona Socorro, que tem 16 filhos, além dos agregados, gatos, cachorros, galinhas e até um papagaio -“Laura”- que vive solto. O marido de Socorro, Seu Iracildo, trabalha com turismo e é conhecido por fazer trilhas noturnas em que pega jacarés na mão. A família é descendente de índios, porém não gostam de falar disso. Ser índio aqui não é motivo de orgulho, parece ser associado com atraso: vimos uma criança chamar a outra de índio com conotação bem pejorativa.

Por fim dormimos em redes no “pouso”, que era uma construção sem paredes e só com telhado de palha, à beira do Rio Tapajós e cercada pela Floresta Amazônica…

A seguir, imagens: vestido de Dica Frazão, casa na beira da estrada, galpão de fabricação com o couro de látex, a casa de Dona Socorro em Jamaraquá.

 

 

The day started with a quick visit to a very interesting place in Santarém: the small museum Dica Frazão. Dona Dica is a stylist and also a sewer who uses natural materials in fashion designs by transforming raw material into creative textiles or accessories. We saw, for example, her crochet towels made out of buriti straw; patchouli, juta and three trunk dresses; flowers out of goose feathers; among many other things. Her strong attention to detail calls as much attention as the space of the museum itself, which is also her house and atelier all together!

After that, we took a bus to Jamaraquá Community. In the first few minutes of our trip we met Nice, the community’s leader, who gave us a lot of tips: she indicated the house of her mother as a place to stay (no hotels in Jamaraquá so far) and also offered to help us finding the local rubber production. Jamaraquá is inside the Flona Tapajós, a strictly controlled reserve: in the 70’s, the inhabitants had to change their lifestyle in order to create the conservation area, a situation that is still a bit problematic.

As the bus went on, we started to see many countryside houses, small communities and we also passed by the city of Belterra. It is very common to see houses with roofs and even walls totally made out of straw, the local vernacular architecture. Even very humble houses have plants in front of it, forming a garden. There are many fences and balconies made out of wooden sticks forming graphic shapes that are at the same time simple and sophisticated.

At Jamaraquá, an area full of “rubber” threes, we visited the rubber production centre, where Mr. Dido guided us. He showed all the steps of the preparation of this material, which is still barely used.

We had dinner at Nice mother’s house, Dona Socorro, who has 16 children, besides the many cousins that live there, cats, dogs, chickens and a parrot – called “Laura” – which lives out of any cage. Socorro’s husband, Iracildo, works with tourism and is known for making walking tracks at night and taking alligators with his hands. The family descends from Indians, but they don’t like to talk about that. To be an Indian here is not something to be proud of, it seems to be associated with old and stupid: we saw a child calling her sister “Indian” with a very bad connotation.

Finally, we went to our hammocks. We slept inside a construction with only the straw roof on top, totally without walls, just by the Tapajós River and surrounded by the Amazon Forest…

Above, the images: a dress by Dica Frazão, a house in the bus path, the place of fabrication of the latex with the rubber and the house of Dona Socorro in Jamaraquá.

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Há em Santarém um projeto social famoso e que já existe há muitos anos, chamado Saúde e Alegria. A primeira coisa que fizemos foi ir à sede deles aqui, para saber mais das iniciativas que envolvem design e como podemos conhecê-las.

Sem marcar hora, conseguimos falar com dois funcionários do projeto, o Carlos e o Silvaney, que nos deram muitas dicas do que existe na região e do que podemos fazer no nosso curto espaço de tempo. Foi interessante ver, na bela sede do projeto, o uso de cortinas de palha em quase todas as salas.

Com as informações, decidimos que iremos passar pela Flona (Floresta Nacional) Tapajós. Por isso passamos na sede do ICMBio (Instituto Chico Mendes), responsável por todas as áreas de conservação do Brasil. Lá fomos orientadas sobre qual o melhor transporte, horários e valores.

Quase no horário de almoço, a caminho de outras visitas, passamos pelo Mercado Municipal de Santarém. Novamente avistamos uma cortina de palha, desta vez enrolada do lado de uma banca de revistas, comprovando este ser um material adequado para barrar o sol e não transmitir calor. Na feira vimos também uma fruta bem diferente, chamada pelo vendedor de mari-mari. São gomos verdes pequenos que vêm bem organizados dentro de uma longa “tripa”: é um verdadeiro “ drops” natural com embalagem unitária.

Passeamos um pouco por um bairro residencial de Santarém na hora do almoço. As casas são simples e coloridas, e o que chamou bastante nossa atenção foi a quantidade e o design das grades. Isso demonstra uma preocupação com segurança que a cidade pacata à primeira vista não aparenta.

À tarde procuramos o IPAM (Instituto de Pesquisas Ambientais) para saber mais sobre o projeto Oficinas Caboclas do Tapajós, iniciado por eles. Conhecemos o Antonio José, a Leni e o Elias, alguns dos articuladores do IPAM no projeto, que nos explicaram detalhadamente sua história e como funciona. Resumidamente, o projeto começou com a vontade de reaproveitar resíduos de madeiras raras abundantes na região, aliando à necessidade de gerar renda às comunidades. Utilizando apenas ferramentas manuais, implementaram oficinas de marcenaria nas comunidades e aos poucos foram treinando pessoas para confeccionar móveis de um estilo rústico, que muitas vezes imitam formas de animais da região. Hoje são seis comunidades à beira do Tapajós que se associaram e envolvem mais de 450 pessoas.

Veja abaixo imagens das cortinas de palha, do mari-mari, das grades de Santarém e uma amostra da produção das Oficinas Caboclas.

 

In Santarém there´s a famous social project that exists already for many years called Saúde e Alegria ( Health and Joy). The first thing we didi was to go in their “headquarter” here, in order to get to know the iniciatives that involve design.

Without any schedule we could speak to two employees of the project, Carlos and Silvaney, who gave us many tips about what exists in the area and what can we do in a short spare of time. It was interesting to see, in the beautiful house of the project, the use of straw curtains in almost all of the rooms.

With the information, we decided to pass by Flona (Natural Forest) Tapajós. Then we had to pass at ICMBio (Chico Mendes Institute), responsible for all the conservation areas in Brazil. There we were oriented about the best transportation means, the time table and the prices.

Almost around lunchtime and in our way to other visits, we passed by the Santarém’s Market. Again we saw a straw curtain, this time it was by the newspaper shop, proving us that this material is adequate to block the sun and heat. We also saw a very different fruit, called by the seller “mari-mari”. It consists in small green parts very organized inside a long capsule: it’s actually a natural “drops” inside a perfect packaging.

At lunchtime, we strolled around a residential district of Santarém. The houses are simple and colorful, and what called our attention a lot was the design and the huge amount of grids in front of doors and windows. This demonstrates a preoccupation with safety that is not obvious in an apparently calm town.

In the afternoon we looked for IPAM to get to know more about their project Oficinas Caboclas do Tapajós (Caboclas Workshops of Tapajós river). We met Antonio José, Leni and Elias, some of the agents of the Project Who explained us in details its history and how it works. Summarizing, the project started with a wish to reuse residues of valuable woods in the area, connected with the need to generate income in some communities. Having only hand tools, they implemented wood workshops in the communities and little by little they trained the people to make rustic furniture, having many times their own fauna represented in them. Today there are six communities along the river Tapajós participating in this project, and more than 450 people involved.

See above images of the straw curtains, the mari-mari, the grids at Santarém and a sample of the Oficinas Caboclas’ work.